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Nesta página encontrará informações sobre a música coral em Portugal no início do Século XXI .


 

 

 

 realizado em 10/2000 pelo Orfeão de Seia

 realizado por Dr. Heinz Frieden em 2/2000

 


 

 

 

1º CONGRESSO NACIONAL DE COROS

QUINTA DO CRESTELO - SEIA

14, 15/10/2000

as conclusões aqui apresentadas foram publicadas pela organização do Congresso imediatemente após o encerramento do mesmo, que se baseiam essencialmente nas intervenções dos oradores convidados :
Drª Cristina Faria

Prof. Dr. Rui Nery
Dr. Heinz Frieden

Prof. José Robert

 

CONCLUSÕES

 

Nos dias 14 e 15 de Outubro de 2000 realizou-se em Seia, na Quinta do Crestelo, o 1º Congresso Nacional de Coros, organizado pelo Orfeão de Seia, com a presença de cerca de 220 participantes, do qual se apresentam as seguintes conclusões:

Este século, dominado pelos audiovisuais com elevados padrões de qualidade, padronizou o homem ouvinte/consumidor em detrimento do homem produtor/praticante de música.

Recuperar e reforçar o direito de fazer música, cantar e criar os espaços de interacção, que são os coros, corresponde à tradição do povo português de cantar em conjunto, um acto socializante, natural de um povo aberto.

O gosto de cantar, associado à necessidade de conviver, de "estar e fazer coisas com os outros", anima o coralista (ou corista) amador a "andar para a frente", com animo e optimismo sabendo-se veículo de cultura.

Mas, após um pico no movimento coralista, localizado depois do 25 de Abril de 1974, assistimos hoje a um decréscimo na criação de coros, no número de coralistas por grupo, e na mobilização do público para os concertos/espectáculos.

Por sua vez, as associações suporte dos grupos corais, também têm dificuldades em encontrar substitutos para os membros dos corpos directivos, por vezes já cansados de tanto lutar.

Por fim, pergunta-se: o que leva os directivos, coralistas e maestros a correr tanto e durante tanto tempo, muitas vezes em prejuízo das suas vidas privadas e famílias? Paixão pela música e pelo canto? Militantismo? Idealismo?

Encantar, seduzir e criar bem-estar são ideias-chave que poderão permitir cativar, de novo, público, coralistas e membros para as direcções das associações. É necessário não perder o comboio da mudança. nem que seja na última carruagem.

São os próprios coros que estão no centro desta mudança. Aos coros caberá encontrar a legitimidade, o reconhecimento junto das suas comunidades. Para isso será necessário cativá-las. Criar nos grupos a energia, a alegria suficiente que seduza os coralistas e que envolva o público.

A escolha do repertório reveste-se de importância fundamental. Cada grupo terá a sua estratégia de repertório que tem a ver com as características dos seus coralistas, do meio envolvente e do público a que se destina.

Desde crianças, nas escolas de música, nos grupos infantis e juvenis, é necessário formar e educar as pessoas. Caberá também ao estado reestruturar o ensino da música nas escolas assumindo-o mais responsavelmente.

Há muitas experiências no movimento coralista que demonstram que é possível atrair pessoas para os grupos e público para os espectáculos:

- coros infantis e juvenis
- escolas de música
- convite a músicos e outros artistas para colaborarem nos concertos
- transformar os concertos em espectáculos
- melhorar a comunicação com o público nos concertos
- e, principalmente, inovar muito.

Talvez, assim, também seja possível ir ao encontro dos jovens.

A par da necessidade de os coros se reencontrarem com as suas comunidades envolventes, e de nela procurarem a sua legitimação, há também, necessidade de se saberem situar numa realidade mais global ainda que seja só o país.

A satisfação de algumas necessidades passam pela interacção com outros grupos corais:

- formação de coralistas e maestros através da criação de uma bolsa de formadores para a constituição de equipa pedagógicas,
- participação conjunta em eventos como no próximo Simpósio Mundial de Musica Coral nos Estados Unidos, em 2002
- plano de dinamização coral articulado com os grupos corais
- partilha de repertório
- organização do próximo congresso

Para uma maior visibilidade do movimento coralista, e para facilitar o diálogo com o estado considera-se muito importante a criação de uma Federação Portuguesa de Coros e da organização destes a nível regional.

O apoio do Estado ao movimento de cerca de 40.000 cidadãos, organizados pelos grupos corais portugueses, é uma obrigação, não uma benesse.

As autarquias deverão cooperar mais com os grupos corais apoiando estas associações que em muito tem contribuído para a valorização musical do povo português.

A necessidade deste Congresso é sentida desde há muitos anos. Trilharmos percursos de aprendizagens partilhadas, trocarmos experiências, potenciar inter-ajudas entre os coros, foi um grande passo aqui iniciado e de que se esperam resultados positivos no futuro imediato.

 

 


 

 

 

 

contacte-nos :   editora@public-art-sound.com ; para requisitar um ficheiro no   format MS - EXCEL com as estatisticas aqui apresentadas

 

 

No seguinte apresentam-se os resultados do inquérito realizado por Dr. Heinz Frieden em 2/2000, dirigido a cerca de 250 grupos corais, pedindo responder à 30 perguntas . 

 do mesmo universo de coros conclui-se a imagem seguinte sobre a fundação de coros em Portugal :

independentemente do ano de fundação ( anos de existência ) , a opinião dos coralistas activos é de : " para o coro…

 já houve tempos melhores

 está mais ou menos

 nunca foi tão bem

 num caso ou outro as razões consideradas são por

resposta do público reconhecimento por entidades públicas situação financeira resultado artístico adesão de elementos

 se o coro existe há mais de 20 anos: qual foi ( segundo os elementos com mais experiência ) a melhor época para o coro

os ensaios acontecem com......        
regularidade  muito rigor pouco rigor
com a participação de ...... % dos coralistas
 80-100%  50-75%  10-40%

qual a percentagem dos elementos do coro que se empenham em resolver as situações do dia-a-dia do grupo

0-10 %  - 20%  - 30%

o coro tem a estrutura de
Associação Cultural Ass. de utilidade pública Organismo democrático com eleições  Grupo de amigos

qual tem sido a média de número de elementos do coro
hoje 33,6
há 5 anos 34,3
há 10 anos 35,6
há 20 anos 47,5
há 30 anos 41,5
há 50 anos 55,2

 

qual é a média etária dos coralistas (actualmente-ano2000)

qual é a média de horas que um coralista investe por semana
5 10 15 20

qual é a média de espectáculos /ano

aumentou / deminuiu ?

no repertório as peças têm aumentado no grau de dificuldade ?

como coro 'a capella', fazem concertos com músicos de fora ?   

multíplas respostas possivel

 nunca
raramente
regularmente
a convite por fora
por iniciativa nossa

 

se trabalham com outros músicos, tratam-se de

multíplas respostas possivel
1 músico
2/3 músicos
10-15 músicos
20-100 músicos

 

tinham feito gravações p/ CD ou ca7 anteriormente 

tiveram contactos artísticos com outros participantes do projecto "os melhores coros amadores da região..."

O coro tem...

uma estabilidade financeira uma estabilidade financeira dificuldades graves

o director artístico trabalha

gratuitamente por salário mensal

o coro financia-se por  

multíplas respostas possivel

meios próprios
cachets de espectáculos
subsídios oficiais
patrocinadores particulares

 tem havido procura de novas formas de financiamento nos últimos anos ?

 

se sim, as tentatívas estão viradas para 

multíplas respostas possivel
subsídios oficiais
auto-financiamento
patrocínios privados
outro

qual é a V/ avaliação da situação do coro :

 

tem o futuro seguro
não há razões para preocupação
passará dificuldades graves

 

 

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